quinta-feira, 18 de agosto de 2016

"Brasileiro não gosta de esporte, gosta é de ganhar"


Uso esta máxima a muito tempo. Não sei se de quem é a autoria para poder dar o devido crédito, mas sempre achei que é uma verdade.
Basta ver como nosso amor pelo esporte nacional, o futebol, vai minguando na mesma proporção em que os maus resultados vão se acumulando.
A grande maioria dos brasileiros falta a percepção de que torcer não significa necessariamente uma contrapartida de vitória, pois nem todos podem vencer, mas todos precisam competir para que haja um vencedor.
E falta ainda mais a capacidade de ver o mérito no esforço, no trabalho e na superação pessoal. De que, mesmo não sendo "o" melhor, podemos e devemos ser melhores que nos mesmos a cada dia.
Valorizamos a vitória acima de tudo. Transformamos o vitorioso em herói, em exemplo, em mártir e damos a ele todas as honras. Reviramos seu passado para mostrar toda a capacidade do eleito.
E nos identificamos com isso. Se vencemos no judô viramos o país das artes marciais e discutimos e analisamos cada golpe como especialistas. Quando Guga estava em seu auge viramos a capital do tênis e em cada botequim discutíamos"back hands" e paralelas como se todo brasileiro tivesse uma quadra de tênis no quintal, entre um torresmo e uma dose de cachaça, é claro.
Mas bastam as vitórias irem embora e nosso interesse vai embora com elas.
Não há problema em querer vencer, em buscar a vitória. É para isso que trabalhamos, que nos dedicamos e muitas vezes merecemos. Me incomoda apenas ver mérito apenas na vitória e não no trabalho, transformando uma legião de "não vitoriosos" quase que em incompetentes. Não é justo.
Mas nem tudo está perdido, creio eu. De vez em quando somos surpreendidos por algo que nos dá esperança na capacidade do ser humano de ver além do óbvio. Na última sexta-feira estava no Estádio olímpico assistindo algumas provas de atletismo. Numa delas, os 10000 metros para mulheres, a vencedora fez a distância em cerca de 29 minutos. Mas me chamou a atenção a última colocada, que ainda corria intermináveis cinco minutos depois da primeira cruzar a linha de chegada.
A prova já havia terminado e as três primeiras colocadas já davam a volta olímpica e ela continuava seu desafio interior. E o público no estádio acompanhou aquela então solitária corredora até sua chegada e num gesto tão inspirador quanto exemplar aplaudiu aquela vitória pessoal.
Ali não tinha Bolt, Phelps, ou Neymar mas tinha gente dando o seu melhor e mais, pessoas que reconheceram isso.
Enfim, é bom ver que pessoas se tornando melhores, seja por seu esforço, trabalho e dedicação, seja por que algumas vezes ainda somos capazes de sermos maiores que nos mesmos ao valorizar este esforço.
Que tanto o atleta que vence seu desafio pessoal quanto o ser humano capaz de se emocionar com essa vitória sirvam de exemplo para nós.

As Olimpíadas chegaram. (07 de Agosto)


Estive na Praça Mauá visitando os arredores do Museu do Amanhã na ultima sexta feira e pude constatar isso. O clima da cidade é outro e o Rio de Janeiro respira Olimpíadas. Que bom ! Apesar das mazelas de nossos governantes não tenho duvidas em afirmar o óbvio: Este é um momento único e incomparável e devemos aproveita-lo, não só como espectadores dos jogos ou como anfitriões, mas sabendo aproveitar toda a energia e mobilização que um evento como esse produz como elemento de mudança.
Entendo quando alguns reclamam que tem Olimpíada, mas falta hospital, falta transporte, falta isso, falta aquilo. Verdade, mas essas coisas já faltavam antes e continuarão faltando se nos verdadeiramente não nos posicionarmos como agentes de transformação. Esperamos dos políticos a mudança, mas deles não devemos esperar nada. Devemos sim mudar a nos mesmos, a cada dia, a cada pequeno ato e acima de tudo acreditando na nossa capacidade de realização.
Existem problemas e certamente muitos ainda serão mostrados, mas sem querer encobrir os defeitos prefiro olhar para trás e parabenizar as milhares de pessoas que estiveram trabalhando, perdendo noites de sono e muito da sua sanidade mental para que chegássemos até aqui, dedicando seu talento e suor para que tudo aconteça.
Parabenizar também as pessoas que vão pra rua e se deixam encantar pelo espírito olímpico, pela sua mensagem que deve estar acima dos interesses econômicos que todo nos sabemos que existem, mas que no fim, não podem e não são mais importantes do que o ideal de colocarmos tantos trabalhando por um único objetivo.
Nos meses que virão o Rio de Janeiro irá representar esse desejo de união acima das diferenças, e mais, ser o palco onde estas diferenças deverão ser celebradas. Assim como na vida nossa de cada dia vitória e derrota vão conviver lado a lado, esperança e desespero, sucesso e fracasso. Vamos presenciar exemplos de superação, mas acima de tudo de luta por um objetivo e isso deve ser o mais importante.
Muito se falou do legado Olímpico, do seu custo e do seu valor, mas acho que o maior legado que a Olimpíada pode deixar para cada um é a fé na união por um objetivo, a certeza de que juntos somos mais, a determinação para realizar algo que um dia achamos que não seriamos capazes, a capacidade de ver importância em algo maior que nos mesmos.
Minha grande esperança é que cada um de nos possa ser capaz de perceber algo maior, mais importante e perene dentro de si.
De minha parte posso dizer que mesmo com todos os problemas sinto orgulho de fazer parte de um momento que estará nos livros de história daqui a séculos, como um dos grandes momentos da humanidade.
Viva os Jogos Olímpicos do Rio de Janeiro, e do Brasil.